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UNIBROUE 15, 16 e 17 (CAN, 750ml)
Um teste para o paladar. E os ouvidos


Tinha tudo para ser um dia perfeito. Domingão à tarde, tempo bom, sem plantão (embora tenha perdido alguns minutos ao telefone para resolver pepinos; que, aliás, não harmonizam com cerveja). E com uma degustação vertical pela frente. Munido de uma Unibroue '15', tomei o rumo da Melograno, forneria e loja de cervejas do chapa Eduardo Passarelli na Vila Madalena. A Unibroue, para quem não sabe, é uma produtora canadense (mas controlada pela japonesa Sapporo) que conta com algumas receitas bastante curiosas em sua carta, como a Trois Pistoles e a La Fin Du Monde. E que também produz edições de aniversário, batizadas com números, como a '15', que já estava há dois anos na minha adega. O Passarelli se encarregou de 'exumar' sua garrafa da '16' da guarda, e também conseguiu a '17', que começou a ser vendida no Brasil na semana passada. A nós, para a degustação, se juntaram o André Clemente, da revista Prazeres da Mesa, e a Ana Carolina Oda, que trabalha na Melograno e está se especializando na arte de 'decifrar' a nobre bebida.
E por que não foi perfeito? Bem, lá estávamos nós, mesa na parte externa, cerveja no gelo, copos a postos, água. E... "Lê, lê, lê, lê, lê, leiê leiê..." Sim, o notório "leleiê" que substitui letras mais complexas (a carência de qualidade do autor) no pagode começava a todo volume num bar vizinho, seguido das indefectíveis palminhas. Ah, as palminhas, como eu as odeio! Estávamos ali para desafiar olfato e paladar, mas acabamos tendo a audição vilipendiada das formas mais hediondas imagináveis. Tamanha foi a baixa qualidade do ambiente provocada pelos arremedos de melodia que temo ter influenciado irremediavelmente no equilíbrio das cervejas. Uma das hipóteses levantada na mesa era de que as Unibroues estavam com álcool destacado em excesso porque o fermento, impossibilitado de bloquear o som, resolveu cometer suicídio. Consumiu todo o açúcar da bebida, tornando-a tão alcoólica a ponto de "desinfetar" todas as células de levedura em seu conteúdo. Pedimos desculpas ao produtor e ao importador pelo sofrimento infligido às suas pobres "crias".
Apesar da tentação de usar as rolhas das cervejas como tampões de ouvido, seguimos em frente, aproveitando intervalos das 'músicas' (provavelmente consultavam a partitura para saber qual a ordem dos 'leleiês' e das palminhas). No geral, as Unibroues comemorativas tendem a um álcool muito destacado, o que foi um problema na '15', atrapalhou um pouco na '17' e quase chegou a um equilíbrio na '16'. Esta última, aliás, foi a melhor do trio, mas não chegou exatamente a empolgar. Entre as cervejas da Unibroue que já provei, certamente não é a favorita. Como bem disse o Edu em seu blog, acho que vale repetir a degustação vertical para checar se houve algum problema específico com as garrafas. Desta vez, porém, em uma sala com isolamento acústico, por favor.
Escrito por Bob2 às 21h57
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