Latinhas do Bob 2
  

CONFRARIA DO MARQUÊS (BRA, 600ML)

Cervejas extremas, cuidados idem

Já não é de hoje que os norte-americanos produzem “cervejas extremas”, ou variedades que se destacam por teores alcoólicos elevadíssimos ou quantidades impronunciáveis de lúpulo, por exemplo. Apesar de a história cervejeira ter registrado o uso do termo "extreme beer" pela primeira vez em 1994 (para definir a Samuel Adams Triple Bock, segundo este artigo aqui, em inglês) esse movimento de criar cervejas que se superam em algum quesito começou a ganhar forma junto com o “renascimento” das caseiras – muitas das quais viraram micros -, ainda no final da década de 70. Nem todo mundo, porém, aprecia a idéia: o mestre-cervejeiro Garrett Oliver, da Brooklyn Brewery, tem grandes restrições à lógica do “quanto mais, melhor” (veja, em inglês, aqui). Mas o fato é que esse tipo de cerveja gera uma curiosidade enorme.

 

Aqui no Brasil, já é possível encontrar alguns exemplares de cervejas extremas nos panelões dos homebrewers. O Mauro Nogueira, um dos integrantes da Confraria do Marquês, do Rio, é um dos precursores, com uma Índia Pale Ale, batizada de Imperial IPA, que tem 8,2% de teor alcoólico e 105 unidades de amargor (International Bitterness Units, ou IBUs), e uma barley wine, chamada curiosamente de Hop Wine (ou vinho de lúpulo), com 11% e inacreditáveis 150 unidades de amargor. A título de comparação, uma lager industrial gira, hoje, em torno de 10 IBUs ­– e daí para baixo. "Tenho fama de ser tarado por lúpulo e acho até que procede essa impressão (risos). Fiz umas cervas bastante lupuladas, apesar do terrorismo da falta de lúpulo no mundo", comentou Mauro. No Rio Grande do Sul, a BSG+M prepara algumas boas novidades para os próximos meses que devem demolir algumas fronteiras cervejeiras.

 

Por ora, porém, fiquemos com as cervejas do Mauro. Antes de mais nada, e por experiência própria, digo que tomar uma cerveja extrema requer alguns cuidados, a saber:

 

- Faça uma boa refeição antes da degustação, para forrar o estômago. Cervejas com doses cavalares de lúpulo, em geral, possuem teores alcoólicos mais altos, reflexo da quantidade de malte usada para balancear o amargor.

 

- Evite fazer exercícios físicos muito pesados, como correr uns 2km até o local de degustação com uma mochila nas costas. A atividade pode baixar seus níveis de glicose, levar à perda de líquido e fazer com que você consuma a cerveja como água (e, certamente, ela não é).

 

- Consuma a cerveja extrema com moderação, pois ela pode ter “efeito retardado”: você só sente quando vai levantar para ir embora.

 

- Dedique a sessão de degustação exclusivamente à cerveja extrema. Nada de provar outras receitas como “aquecimento”.

 

Se não seguir essas regras, há uma chance razoável de acordar com a cara no vaso. Como posso bancar essa conseqüência? Digamos que, parafraseando o Chicó do Auto da Compadecida, “não sei, só sei que foi assim”.

 

A tal da Hop Wine (foto: Edu Passarelli)

 

 

A sério, a Hop Wine realmente me acertou em cheio. O “problema” é que se trata de uma excelente cerveja, com belo drinkability, apesar da força alcoólica e do amargor. Não me arrisco, pelos motivos já descritos, a descrevê-la em detalhes. Mais comedido, o Edu Passarelli fez uma resenha. Pelo próprio Mauro, ela foi assim descrita ainda durante a maturação: "Deverá ter em torno de 10% de teor alcoolico (ficou com 11%) e muuuuito lúpulo de variedades americanas - Columbus, Galena, Centennial e Cascade. A receita de maltes é simples: pilsen e uma pitada de cristal. Turbinei com Candi Sugar (de cana), para atingir uma OG bem alta."

 

Já vacinado, tomei alguns dias depois a Imperial IPA, uma das "mães" da Hop Wine. Munido de todas as precauções citadas acima, parti para a prova. E devo dizer que, mesmo assim, uma garrafa de 600 ml é suficiente para “baquear”. Mas também é muito boa.  

 

Apesar de uma primeira experiência um tanto “turbulenta” (rs), confesso que virei fã das cervejas “extremas”. E espero que outros produtores sigam o exemplo do Mauro e, futuramente, dos colegas gaúchos. Da minha parte, já vou começar a “treinar” para as próximas degustações, para melhorar a performance e evitar vexames.



Escrito por Bob2 às 15h59
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 

HISTÓRICO



OUTROS SITES
 ****BLOGS CERVEJEIROS
 Beer Architecture
 Brejas
 Bytes and Beer
 Cerveja
 Cerveja Só
 Cervejeiro.com (Paulo Schiavetto)
 Edu Recomenda
 Humm Cerveja!
 Obiercevando
 Paraquevocerveja
 Ruivas, louras e morenas (Portugal)
 Telecerveja (RS)
 Trinkt Mehr
 *****ASSOCIAÇÕES CERVEJEIRAS
 A Turma - Cerveja Artesanal
 Associação de Incentivo à Cultura de Cervejas Artesanais e Especiais (AICCA)
 Associação dos Cervejeiros Artesanais Cariocas (Acervacarioca)
 Associação dos Cervejeiros Artesanais Mineiros (Acerva Mineira)
 Associação dos Cervejeiros Artesanais Paulistas (Acerva Paulista)
 *****HOMEBREWERS
 Botto Bier (RJ)
 Cerveja McDuff (SP)
 Botto Bier 2 (RJ)
 Cerveja Alice (RS)
 Cerveja Opus (SC)
 Cervejaria Anitápolis (SC)
 Cervejarte/Ricardo Rosa(RJ)
 Confraria do Marquês (RJ)
 Gräbenwasser (SC)
 Mendes Bier (MG)
 MobBier (MG)
 *****MICROCERVEJARIAS
 Abadessa (Pareci Novo, RS)
 Alpenbier (S. Bento do Sul, SC)
 Arte Pura (RJ)
 Backer (MG)
 Baden Baden (C. do Jordão,SP)
 Bamberg (Votorantim, SP)
 Barley (Capela de Santana, RS)
 Bierland (Blumenau,SC)
 Bierlim (Limeira, SP)
 Bier Hoff (Curitiba.PR)
 Bier Site (Carazinho, RS)
 Borck (Timbó, SC)
 Bruge (Águas de Lindóia, SP)
 Caboré (Paraty.RJ)
 Cerveja Coruja (Teutônia,RS)
 Cerveja Fraga (RJ)
 Cerveja Leviana (RJ)
 Cervejaria Artesanal (Capim Branco, MG)
 Cervejaria Farol (Canela,RS)
 Cevada Pura (Piracicaba, SP)
 Chopp do Fritz (S.J.Campos,SP)
 Chopp Ijuhy (Ijuí, RS)
 Cidade Imperial (Petrópolis,RJ)
 Colorado (Ribeirão Preto, SP)
 Dado Bier (Porto Alegre, RS)
 Dana Bier (Aldeia da Serra, SP)
 Das Bier (Gaspar, SC)
 Devassa (RJ)
 Eisenbahn (Blumenau, SC)
 Fábrica 1 (Londrina, PR)
 Factory Beer (S. Leopoldo, RS)
 Falke Bier (Rib. das Neves,MG)
 Fellice (Manaus, AM)
 Glarus (Ipeúna, SP)
 Haus Bier (Vilhena,RO)
 Heimat (Indaial, SC)
 Imperatriz (São Paulo, SP)
 Klaus Bier (Foz do Iguaçu,PR)
 Krug Bier (BH)
 Martignoni Bier (Cascavel,PR)
 Mistura Clássica (Volta Redonda,RJ)
 Moçambique (SC)
 Muster Bier (Caldas Novas,GO)
 Nacional FT (São Paulo, SP)
 Opa Bier (Joinville, SC)
 Planet Beer (SP)
 Platz (Brasília, DF)
 Ralf Beer (RS)
 Reall Chopp (Goiânia, GO)
 Riopretana (S.J. Rio Preto, SP)
 Saint Bier (Forquilhinha, SC)
 Schmitt (Porto Alegre, RS)
 Schornstein (Pomerode, SC)
 Stadt Bier (Brasília, DF)
 Stela Bier/Othomania (Pompéia/SP)
 Süd Brau (Bento Gonçalves, RS)
 Überbrau (Uberlândia, MG)
 Universitária (Campinas, SP)
 Wals (Belo Horizonte, MG)
 Whitehead(Eldorado do Sul,RS)
 Wolkenburg (SP)
 Zehn Bier (Brusque, SC)
 *****BARES CERVEJEIROS
 Anhanguera (SP)
 Asterix (SP)
 Drake's Bar (SP)
 Frangó (SP)
 Haus München (MG)
 Tortula (SP)
 Paralelo 12:27
 *****LOJAS/SITES
 Belgian Beer Paradise (SP e RJ)
 Cervejasnet (RS)
 Nono Bier (SP)
 *****IMPORTADORAS
 Adega Alentejana (SP)
 Aegean (SP)
 Boxer (SP)
 Bier&Wein (SP)
 Casa da Cerveja (SP)
 Import Beer (RS)
 On Trade (SP)
 Reloco (RJ)
 Sabores do Chile (SP)
 Tozan (SP)
 Stuttgart (SC)
 Uniland (SP)


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!